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Nick Cave lamenta fechamento da Mercearia São Pedro: “Eram dias simples e bons”

Foto: Peter Semple/Arquivo Pessoal
Foto: Peter Semple/Arquivo Pessoal

Na semana passada, a notícia de que o bar Mercearia São Pedro, na Vila Madalena (São Paulo), pode fechar movimentou a boemia paulistana. Com mais de 50 anos de atividade, a Merça, como é carinhosamente chamada pelos clientes, recebeu figuras ilustres, entre eles o músico australiano Nick Cave, que morou em São Paulo no início dos anos 1990.

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Por enquanto, o destino do bar é incerto: Marcos Benuthe e Pedro Anis, filhos do fundador da Merça, Pedro Benuthe, estão brigando na Justiça. Marcos quer vender sua parte, enquanto Pedro Anis quer manter o estabelecimento na ativa.

De qualquer forma, fãs perguntaram ao artista australiano, por meio de seu site (The Red Hand Files), o que ele achava do fechamento da Mercearia São Pedro – que, segundo Cave, é “o maior bar do mundo”.

O que vem a seguir é um bonito relato dos dias em que o músico viveu em São Paulo. “Aqueles dias na (Mercearia) São Pedro eram simples e bons”, escreveu o músico. Confira a seguir.

“Nick, a Mercearia São Pedro, que você costumava frequentar quando morava em São Paulo, irá fechar as suas portas e um prédio de alto padrão irá tomar o seu lugar. O que você acha disso?”, perguntou. Nick também respondeu a outro fã, Alex, da Escócia, que queria saber qual era o bar favorito dele e se seria possível tomar um drinque ali.

“Caros Alex e Lucas

No início dos anos 90, morei em uma região de São Paulo chamada Vila Madalena com minha então companheira, Viviane, e nosso filho Luke. No final da nossa rua ficava a “Mercearia São Pedro”, uma mercearia que também funcionava como bar ao ar livre. Todos os dias, por volta das 11 horas, eu pegava Luke, que tinha cerca de dois anos na época, e juntos subíamos a ladeira até lá. Eu colocava o Luke em um banquinho ao meu lado no bar e comíamos pastéis de queijo, e o dono, Pedro, falava com Luke até os trabalhadores da região chegarem para almoçar. Em seguida, mudávamos para uma mesa na calçada do lado de fora e nos sentávamos ao sol. Eu lia e escrevia coisas e Luke chupava sua chupeta, ou um pirulito que Pedro (o sócio do bar, Pedro Anis Issa Benuthe) lhe dava às escondidas. Acho que escrevi algumas letras durante esses tempos, “The Ship Song” e “Papa Won’t Leave You, Henry” e “Foi Na Cruz”, mas, na maioria das vezes, eu ficava apenas sentado fumando cigarro, bebendo uma cerveja e conversando com Luke, enquanto ele chupava seu “Chupa Chup” e observava e ouvia.

Aqueles dias na São Pedro eram simples e bons. Foram os melhores momentos. Agora, os empreendedores estão demolindo o bar e construindo um prédio de apartamentos de luxo em seu lugar. Entendo que assim é o mundo – as coisas vão e vêm – e sei que enfrentamos problemas mais prementes do que a demolição de um barzinho em São Paulo, mas mesmo assim um pedaço da alma da Vila Madalena se perderá quando eles botarem aquele lugar abaixo, e um pedaço da minha também.

Por isso, me despeço da Mercearia São Pedro, o maior bar do mundo, e agradeço ao Pedro, pela gentileza que sempre demonstrou com meu filho, Luke.

Com amor, Nick”

(*) Da redação da Menu

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