Coluna

‘Me tornei artesã de pão para o sustento dos meus filhos e meu crescimento pessoal’

Foto: iStock

A minha vontade de fazer pães de fermentação natural nasceu de uma necessidade de dar um passo a mais na área alimentícia e de ter um sustento, pois tenho dois filhos, e uma vontade gigante de ser alguém de quem eles possam se orgulhar. Então, por eles e pelo meu crescimento pessoal, nasceu a Madre Pães Rústicos, onde pude me encontrar como profissional e pessoa e também, após esbarrar em padarias mentirosas e supostos profissionais que vendiam ilusões, foi onde puder ser MAIS. Ser de verdade. Dizer aos meus clientes como era difícil produzir e vender aqueles pães que demandavam tanto estudo, prática, tempo e dom. Queria dividir conhecimentos, métodos que eu treinei, dizer às pessoas que era possível se sustentar do pão e crescer. Que elas também podiam se alimentar melhor e vender um produto sem tanta agressão e toxicidade. Então, iniciei os projetos de ensino. Eram itinerantes e visitei vários estados do Brasil. Comecei também a dar consultorias e criei um projeto maior com o intuito de unir padeiros do bem: aqueles que poucos conheciam, pois não estavam nas redes sociais mentindo e iludindo pessoas com produtos incríveis, equipamentos caros (e inacessíveis) e métodos que não davam certo como faziam parecer – “Seu fermento natural pronto em dois dias para uso e produção de pães incríveis por R$1.750 em duas aulas”. Continue lendo após a imagem.

Vanessa Azevedo é padeira artesanal

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Eu fiz algumas oficinas das quais saía com mais ansiedade e sem aprender de fato. Então, minha vontade era de pegar esses padeiros incríveis que estavam escondidos em suas cozinhas, exaustos, dividindo loucamente via grupos de Whatsapp, se doando e sedentos por aprender. Quis juntá-los num local de aprendizado voltado todo o tempo apenas para aquele grupo, mesclando comida afetiva, onde eles pudessem agregar valor aos seus pequenos negócios, valorizando os produtores locais, e conhecendo equipamentos. Ao mesmo tempo, colocá-los em contato com a natureza como elemento principal e que une e transforma dando vida a esse alimento ancestral e aos saberes.

Assim, nasceu o Projeto Imersão – Pão e Origem, que já se encaminha para a 4ª edição, fazendo uma grande família de alunos, amigos, parceiros e capacitando profissionais para também ensinarem.

Fui ameaçada e diminuída nas redes sociais por falar a simples e pura verdade que ninguém queria me dizer: fazer pão com levain é foda. Você vai ficar exausto, você vai querer desistir, vai tomar muito tempo, você vai ficar ansioso, vai testar um milhão de vezes a mesma receita, vai penar pra vender os primeiros pães porque as pessoas ainda precisam ser educadas para comprar esse tipo de produto. Então, você vai, depois de um tempo, ter hérnia de disco, problemas no ciático, tendinite, bursite e todas as “ites” que conhecer. “Você ainda quer fazer pão ao levain?” – era o que eu perguntava após desfiar toda essa linha de raciocínio aos meus alunos. 

Também temos que lidar frequentemente com o mercado abusivo e mentiroso das grandes indústrias que vendem veneno disfarçados num rótulo de “fermentação natural”, lotados de aditivos, conservantes, corantes, alvejantes e antimofos terríveis com validade de 1 ano, para pães que deveriam ser extremamente orgânicos e naturais, com validade de 5 dias.

A luta é árdua, o processo é lento, o cliente precisa ser educado, o mercado cada vez mais virtual, a pandemia e sua lente de aumento em ambos o sentidos: o bom, que é a busca por uma alimentação mais saudável para nosso corpo, e o mau, que é o desespero que nos tapa os olhos da verdade e os abre para a internet dos aproveitadores e das facilidades de mentira.

Sigo na luta. Eu, 38 anos, mãe da menina Brisa e do menino Mar, ouvindo as mais lindas histórias dos meus mais de 500 alunos que se encontraram na profissão e prosperam dia após dia trabalhando com a verdade e com uma alimentação de qualidade. 

Nos dias em que detesto estar tão exausta, crio um novo projeto e penso naqueles que vão virar padeiros do bem. Sorrio. É bom demais pisar na terra da realidade, mesmo dura. A consciência é a coisa mais incrível que existe. E viva o Pão!

(*) Por Vanessa Azevedo, padeira artesanal desde 2015 e criadora do projeto Imersão: Origens para a Menu
(**) Dia 16 de outubro é Dia do Pão 

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