21/09/2026 - 13:33
A diferenciação entre alimento processado, industrializado e ultraprocessado é crucial para orientar as escolhas do consumidor, que busca uma alimentação mais saudável e consciente. Uma especialista explica como identificar cada categoria, destacando que a classificação se baseia no grau e propósito do processamento industrial.
A nutricionista Nadine Marques, doutora em Saúde Pública e pesquisadora da Cátedra Josué de Castro da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), ressalta que alimentos podem variar desde in natura, similar ao que a natureza oferece, até diferentes graus de processamento, como os minimamente processados, ingredientes culinários, processados e ultraprocessados.
O que aconteceu
- Identificar um alimento ultraprocessado é essencial para escolhas alimentares mais conscientes, diferenciando-o de produtos industrializados.
- A classificação dos alimentos, baseada no grau e propósito do processamento, permite distinguir produtos in natura, minimamente processados, processados e ultraprocessados.
- O consumo excessivo de ultraprocessados está associado a impactos negativos na saúde, como obesidade, doenças cardíacas e problemas de saúde mental, exigindo atenção aos rótulos.
O arroz limpo, seco e descascado, por exemplo, passa por processamento mínimo na indústria alimentícia. Da mesma forma, a transformação do leite em queijo, com a adição de fermento lácteo, enzimas e sal, é uma técnica milenar de industrialização que melhora a durabilidade, segurança e diversidade dos alimentos.
identificar um alimento ultraprocessado
Nadine Marques observa que, em alimentos processados, é fácil identificar o ingrediente original devido às poucas modificações. No entanto, os ultraprocessados são diferentes, pois utilizam partes isoladas de alimentos, como farinhas, óleos vegetais e proteínas, combinadas com uma série de aditivos cosméticos (cor, sabor, espessura, textura). Esse nível extremo de processamento descaracteriza os alimentos originais, não pode ser reproduzido em cozinhas domésticas e visa alta margem de lucro e maior durabilidade.
ultraprocessados do bem?
A pesquisadora explica que a classificação não prevê uma categoria de “ultraprocessados do bem”, já que considera não apenas a composição nutricional, mas também a extensão e o propósito do processamento. Segundo ela, produtos resultantes da fragmentação de alimentos para gerar ingredientes industriais, que exigem múltiplos aditivos para se tornarem agradáveis e duráveis, encaixam-se na lógica dos ultraprocessados.
“A ideia de ultraprocessados do bem está muito relacionada à análise da composição nutricional dos alimentos, apenas. Mas ainda que a composição final não seja tão ruim, precisamos ampliar o olhar nessa análise, avaliando o que está para além dos nutrientes”, pontua Marques.
A presença de aditivos diversos e o armazenamento prolongado em embalagens plásticas são fatores que, além da composição nutricional, contribuem para o impacto negativo dos ultraprocessados na saúde humana. Estudos recentes relacionam o consumo crescente desses produtos a obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes, alguns tipos de câncer e problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade.
como evitar ultraprocessados no dia a dia?
A especialista oferece uma dica prática para o consumidor identificar um ultraprocessado: não se contentar apenas com as alegações da parte frontal do rótulo, mesmo com a lupa indicativa. O ideal é verificar a lista de ingredientes. Se for muito extensa, com amido, óleo e açúcar como primeiros itens, seguida por substâncias com nomes difíceis de pronunciar (aromatizante, realçador de sabor, corante, espessante, emulsificante), é provável que seja um ultraprocessado. Nesses casos, a recomendação do Guia Alimentar é clara: evite esse alimento.
Da IstoÉ
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