No alto da Serra da Mantiqueira, onde o clima dita o ritmo e a natureza exige atenção constante, nasce uma safra que vai além dos números. Os azeites Mantikir 2026 chegam ao mercado graças à consolidação de um trabalho que une precisão técnica, sensibilidade e respeito ao tempo da terra.

Produzidos pela Vinícola Essenza, localizada em Santo Antônio do Pinhal, e com uma sede também em Maria da Fé (MG), os rótulos Summit Premium, Coratina, Grappolo e Arbequina refletem um ciclo marcado por decisões cuidadosas, da colheita ao processamento. Ao longo de cerca de 50 dias de trabalho manual, cada etapa foi conduzida de acordo com o comportamento das azeitonas, em um cenário onde altitude e clima transformam cada safra em uma história única.

A Revista Menu acompanhou de perto esse processo e marcou presença no local, vivenciando uma experiência que traduz o verdadeiro significado de terroir. Entre oliveiras que alcançam até 1.910 metros de altitude, a sensação é de estar diante de um laboratório a céu aberto, onde técnica e natureza caminham lado a lado.

Vinícola Essenza, localizada em Santo Antônio do Pinhal, interior de SP – Foto: André Ruoco/Revista Menu

O reconhecimento internacional veio cedo. Ainda nas primeiras semanas do ciclo, os azeites Mantikir conquistaram medalhas de ouro no CINVE e garantiram lugar de destaque no Evooleum Awards, um dos guias mais respeitados do mundo. Mais do que prêmios, os resultados funcionam como um selo de consistência para um projeto que vem amadurecendo safra após safra.

Para Herbert Sales, proprietário da Vinícola Essenza, o momento é simbólico: “Abrir a safra com dois rótulos premiados em um concurso internacional como o CINVE, insere o produto no mercado já validado sob critérios técnicos reconhecidos, o que amplia a leitura sobre consistência de qualidade e precisão no processo produtivo”.

Parte desse reconhecimento passa por uma estratégia pouco visível ao consumidor. A colheita antecipada de um pequeno lote, ainda em janeiro, permitiu à marca participar dos primeiros concursos do ano sem interferir no perfil da safra comercial. Esse azeite inicial, mais verde e intenso, difere daquele que chega ao mercado meses depois, já com maior complexidade aromática.

“Existe uma diferença clara entre o azeite produzido para envio aos concursos e aquele destinado ao mercado, tanto no ponto de colheita quanto no perfil sensorial. Antecipar essa produção permite atender as exigências dos concursos sem comprometer o restante da safra”, explica Herbert.

O restante da produção seguiu seu curso natural a partir de março, em um ano de clima mais frio e chuvoso, que retardou a maturação das azeitonas. Esse fator, longe de ser um obstáculo, exigiu ainda mais precisão nas escolhas feitas ao longo do processo.

No lagar, localizado em Quelemém, a extração em pequena escala garante controle absoluto sobre cada etapa, preservando aromas, frescor e compostos essenciais para a classificação extravirgem. É um trabalho minucioso, onde cada detalhe impacta diretamente o resultado final.

Se em 2025 a produção girou em torno de 3 mil litros, a expectativa para 2026 é dobrar esse volume. O crescimento acompanha o desenvolvimento natural das oliveiras e o refinamento do manejo, que hoje permite maior previsibilidade sem abrir mão da qualidade.

“O ganho de volume acompanha a entrada das plantas em um estágio mais produtivo e a capacidade de ajustar o manejo ao comportamento do ambiente. A produção de azeite depende de decisões tomadas ao longo de todo o ciclo”, finaliza Herbert.

Imagem do olival mais alto do mundo, situado a 1.910 metros de altitude, na Fazenda Tuiuva, em Maria da Fé (MG) – Foto: Divulgação

Azeite brasileiro é destaque no Evooleum 2026

A Vinícola Essenza, com área de cultivo e manejo na Fazenda Tuiuva, em Maria da Fé (MG), teve dois azeites incluídos entre os 100 melhores do mundo no Evooleum Awards 2026. O resultado foi divulgado na última sexta-feira, 24, após avaliação realizada nos dias 20 e 21 de março, em Córdoba, na Espanha.

O azeite Mantikir Summit Premium foi reconhecido como “Best of Brazil” e alcançou o 11º lugar no Top 100 da categoria de produção em larga escala, com 93 pontos e acidez de 0,12%. Já o monovarietal Mantikir Grappolo Epamig estreou no Top 20 da categoria de produção limitada até 2.500 litros, com 92 pontos e acidez de 0,07%.

“A presença no ranking pelo terceiro ano consecutivo, somada à segunda distinção seguida como melhor azeite do Brasil, indica que existe um padrão técnico sendo mantido. O terroir da Serra da Mantiqueira, com altitude elevada, amplitude térmica e controle no manejo, influencia diretamente o desenvolvimento das azeitonas e contribui para a formação de perfis que respondem bem aos critérios de avaliação internacional”, afirma Herbert Sales.