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Chef do Acre se destaca fazendo baixaria em São Paulo: ‘Bagunça no prato’

Chef do Acre se destaca fazendo baixaria em São Paulo: 'Bagunça no prato'
Chef do Acre se destaca fazendo baixaria em São Paulo: 'Bagunça no prato'

A chef acreana Amanda Vasconcelos foi a primeira cozinheira a se destacar fazendo baixaria em um restaurante em São Paulo, ao inaugurar o próprio espaço, a Casa Tucupi, na região da Vila Mariana, em 2018.

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Explico: Baixaria é um prato típico de influência nordestina, tipo um “PF do Acre”, uma das especialidades da jovem de 30 anos.

E é quase impossível não achar graça desse nome dado à receita, que leva cuscuz de milho, carne moída, salada de tomate, cebolinha e ovo frito com gema mole (R$ 30). E é mais difícil ainda não se divertir com a reação dos clientes desavisados de Amanda. “Tem gente que chega e fala: ‘vim comer confusão, teimosia'”, conta ela, em entrevista à coluna, nesta terça-feira (15), em que se comemora 59 anos de fundação do estado do Acre, território que chegou a pertencer à Bolívia.

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Assim como no curioso prato, devorado por Amanda com dois ovos nas madrugas pós-balada durante a adolescência em Rio Branco, as referências afetivas preenchem os menus renovados mensalmente, tanto no salão como para delivery.

Tem Tacacá (R$33), feito com tucupi bem ácido, que serve de base para outros preparos, além de folhas de jambu frescas, camarões secos e goma de tapioca, e Bolovo de baixaria (R$14), recheado com ovo de codorna e servido com maionese de tucupi. Nos principais, a Rabada no Tucupi (R$56), com rabo bovino cozido no tucupi com arroz branco e farofa de farinha de Cruzeiro do Sul, e a Moqueca Amazônica (R$56), com peixe amazônico do dia – como Pirarucu ou Filhote – com camarão seco, tucupi e leite de coco, se destacam.

Até a cerveja Caxiri Lager (R$20) e as sobremesas, como a Mousse de cupuaçu com chocolate (R$16) e o Bolo gelado de cupuaçu no pote (R$16), evidenciam a terra natal dela, que se mudou para o sudeste em 2011, para cursar Arquitetura, carreira substituída sem arrependimentos. “Foi difícil me reconhecer como chef porque sou autodidata, mas estou começando a ver de uma maneira diferente. Já tem um monte de paulistanos que consegui viciar em tacacá”, orgulha-se.

Dona de um papo leve e bem humorado, que pode ser conferido ao vivo no espaço, onde ela também promove exposições rotativas e atua como joalheira (na escola de ourives localizada no andar superior), Amanda só muda a tom para defender suas origens do preconceito. “Rola uma piada de que o Acre não existe, mas o Acre existe, sim. E tem muita comida boa. Minha ambição como chef e mulher nortista é trazer essa cultura gastronômica dos nossos ingredientes. No Brasil, as pessoas estão mais interessadas no restaurante japonês ou italiano. Minha missão é mostrar as riquezas que temos também”, finaliza.

Com essa energia, não é à toa que a Casa Tucupi já é considerada a embaixada do Acre em São Paulo.

(*)Da redação Menu

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