Cantina, trattoria, bistrô… cada palavra desperta uma imagem diferente na cabeça de quem gosta de comer bem. É como se o simples nome do restaurante já fosse capaz de contar uma história: a mesa farta e barulhenta de uma cantina italiana, a atmosfera intimista de um bistrô francês ou a descontração animada de um izakaya japonês. Esses lugares não são apenas pontos de refeição, mas expressões culturais que traduzem modos de viver e de compartilhar a comida.

Viajar entre esses diferentes estilos é também percorrer tradições à mesa que ultrapassam fronteiras. Do Oriente Médio aos Estados Unidos, passando pelo Japão, cada formato revela muito sobre a relação de um povo com seus sabores — seja na informalidade acolhedora, no ritual da boa bebida acompanhada de petiscos ou na sofisticação de pratos elaborados para serem apreciados com calma. Afinal, entender esses espaços é também compreender a alma da gastronomia em cada canto do mundo.

Restaurantes japoneses

Quem disse que no Japão não tem boteco? O izakaya é um bar ou boteco japonês informal, que originalmente era o ponto de encontro para tomar sakê, como indica a própria origem do nome: “izakaya” é uma composição de “i” (sentar) e “sakaya” (loja de sakê).

A gastrônoma Mariana Chen, do Kaifu Asian Cuisine, conta que a princípio os comerciantes visitavam os produtores de sakê para provar a bebida e definir a qualidade do produto antes da compra. Então, os fabricantes preparavam e serviam “beliscos” para acompanhar a bebida.

Hoje, os izakayas se tornaram bares tradicionais para socializar e desfrutar de bons petiscos e bebericos em um ambiente descontraído e ainda assim acolhedor. Mas há outros tipos comuns de restaurantes japoneses. “Todo estabelecimento de comida termina com o sufixo ‘ya’, que identifica o tipo de produto que o local é especialista”, explica ela.

Por exemplo, o sushi-ya se refere a um local especializado em sushi. Essa categoria de restaurante até pode vender outras preparações – como tempurá e sopa –, porém é uma casa especializada em sushi. Seguindo essa lógica, existem os ramen-ya (especializados em ramen), tempura-ya (focados em tempurá), tonkatsu-ya (servem tonkatsu, como o lombo de porco empanado na farinha panko e frito), entre outros.

Kaifu Asian Cuisine – Foto: Divulgação

Restaurantes italianos

Quem nunca se perguntou qual a diferença entre trattoria, cantina, osteria e ristorante? São tantos nomes, que até acabam confundindo. A chef Mariane Adania, do Manduque Massas e Maçãs, conta que a osteria é um estabelecimento muito tradicional que serve vinhos e comidas mais simples. “As osterias são mais informais, onde as pessoas se encontram para beber e comer alguns aperitivos.”

O conceito de trattoria não se distancia muito, porém as osterias carregam uma atmosfera mais rústica e descontraída, pois eram mais frequentadas pelos viajantes. As trattorias, muitas vezes geridas por famílias, já trazem um ar um pouco mais casual e servem receitas mais tradicionais.

Para datas especiais, a categoria mais comum é a de ristorante, que busca ser mais formal. “Os ristorantes geralmente têm serviço à la carte, pratos elaborados e uma carta de vinhos extensa”, afirma Denis Orsi, chef do Marena Cucina.

As cantinas, por outro lado, muitas vezes eram subterrâneas, originalmente feitas para armazenar barris de vinhos e mantimentos e algumas serviam comida. Já aqui no Brasil, o termo refere-se a um restaurante de ambiente informal, comida farta, mesas grandes e pratos para compartilhar. “São lugares acolhedores, muitas vezes com clima festivo”, conta Denis.

Existem ainda outros formatos, como a enoteca – voltada para o vinho –, mas que serve pratos clássicos. Há ainda a taverna, de caráter mais rústico e popular. “No fim, todos eles representam a riqueza da cultura italiana à mesa, cada um à sua maneira”, complementa o chef.

Marena Cucina – Foto: Tadeu Brunelli

Restaurantes árabes

A culinária árabe no Brasil tem se diversificado nos últimos anos, com restaurantes especializados em rodízios e buffets. Mais recentemente, o conceito de kebab e shawarma também se difundiu por aqui. Comumente servido em lanchonetes árabes especializadas (kebab shop) – uma espécie de fast food –, o kebab e o shawarma também são encontrados em restaurantes mais tradicionais.

Segundo Bruno Sabbag, proprietário do restaurante Sabah, hoje existem boas kebaberias na capital paulista. “Elas oferecem um serviço mais rápido e prático aos clientes”, afirma. Por outro lado, os restaurantes mais tradicionais oferecem um ambiente mais acolhedor, para amigos e familiares.

Há ainda as Mezze Houses, casas especializadas em servir entradas – as mezzes –, com um cardápio de pastas, pães e bebidas típicas, como se fosse uma happy hour. “Os convidados degustam essas iguarias, batendo muito papo e bebendo”, explica.

Restaurantes franceses

A França não fica atrás na variedade de tipos de restaurantes. As brasseries, por exemplo, são grandes casas com menu extenso, onde predominam pratos clássicos franceses e são focados em bebidas alcoólicas, especialmente as cervejas. Com clima mais descontraído, são mais informais e oferecem um serviço mais rápido.

Por outro lado, os bistrôs costumam ser restaurantes menores e acolhedores. “Os bistrôs focam em comidas simples, quase caseiras”, afirma o chef Benny Novak da ICI Brasserie. Segundo ele, esse tipo de estabelecimento normalmente tem preços mais acessíveis.

Além das brasseries e dos bistrôs, o chef cita ainda outro tipo de estabelecimento comum na França: o café. Como o próprio nome sugere, os cafés por lá têm a proposta de servir a bebida, mas também podem oferecer pães, lanches e refeições mais leves, em um ambiente mais informal.

ICI Brasserie – Foto: Divulgação

Restaurantes norte-americanos

Nos Estados Unidos não é diferente. A gastronomia de lá é resultado das ondas de imigração e da herança cultural indígena e africana. Há, por exemplo, as steakhouses, nascidas na Inglaterra e que são casas dedicadas aos cortes nobres preparados na brasa.

Já as delicatessens, ou simplesmente “delis”, trazem uma proposta híbrida: parte empório, parte lanchonete. Elas nasceram da tradição judaico-europeia e ganharam fama com seus sanduíches fartos de pastrami, roast beef, queijos e pães artesanais, além de prateleiras recheadas de produtos para levar para casa.

Outro tipo comum de restaurante são os diners. Eles são um ícone da cultura americana com seus ambientes descomplicados, muitas vezes abertos 24 horas, que servem de tudo um pouco: hambúrgueres, panquecas, milk-shakes e tortas caseiras. Tudo com um ar retrô dos anos 1950.