O mercado brasileiro de pizzas vive um momento de destaque: recentemente, o país emplacou 22 casas no ranking 50 Top Pizza Latin America 2026, lista que reúne as principais pizzarias artesanais da região.

O desempenho acompanha o amadurecimento do setor que cresceu 10,29% em 2025, segundo a Associação Pizzarias Unidas do Brasil (Apubra). Para além de um segmento aquecido, o destaque do Brasil no cenário latino-americano reflete um público consumidor cada vez mais exigente — inclusive na cozinha de casa.

Para quem gosta de reproduzir receitas de restaurantes, a boa notícia é que resultados de boas pizzarias podem ser alcançados de forma caseira. À Menu, cinco pizzaiolos de casas reconhecidas compartilham orientações para elevar a pizza caseira.

A massa perfeita

Antes da cobertura, a atenção deve estar voltada à farinha e ao tipo de massa escolhido. “O primeiro ponto é comprar uma farinha de qualidade, mas que não traga dificuldade”, explica Matheus Ramos, da QT Pizza Bar, eleita a 3ª melhor pizzaria da América Latina pelo 50 Top Pizza Latin America 2026.

Dani Branca, da Soffio Pizzeria — incluída na categoria “Excellent Pizzerias” da premiação — recomenda farinhas do tipo 00 ou de alta proteína, que favorecem a estrutura da massa. Para ele, o tempo também é ingrediente fundamental: fermentações entre 24 e 48 horas contribuem para textura, sabor e melhor digestibilidade.

Pedro Siqueira, da Sìsì, no Rio de Janeiro, também presente na seleção “Excellent Pizzerias”, reforça a importância do planejamento. “Se a pessoa vai preparar a pizza à noite, o ideal é começar de manhã. Esse tempo faz toda a diferença no resultado final”, afirma. Segundo o chef, a massa deve passar por etapas de descanso e crescimento antes de seguir para a geladeira.

Modelar e assar

Adaptar o estilo da pizza à estrutura disponível em casa pode facilitar o processo. Gil Guimarães, da Baco Pizzaria, em Brasília — 22ª colocada no ranking latino-americano de 2026 — sugere trocar a tradicional napolitana por uma versão romana, fina e crocante. “Sugiro não fazer napolitana e nem uma receita para abrir com as mãos. A massa romana, que pode ser aberta com o rolo, funciona melhor em casa”, diz.

Quem seguir a dica do especialista e optar pelo estilo romano pode usar o rolo para alcançar a espessura característica. Já quem busca bordas mais aeradas pode abrir a massa manualmente, preservando melhor o ar da fermentação, como recomenda Dani Branca. Na hora de assar, a prioridade é concentrar o máximo de calor possível. O pizzaiolo indica pré-aquecer o forno por 30 a 40 minutos e utilizar pedra ou chapa de aço, quando houver, para melhorar a cocção e firmar a base.

Além disso, também é preciso considerar a distância entre os equipamentos profissionais e os domésticos. “Na pizzaria, trabalhamos com um forno acima dos 450ºC, enquanto em casa normalmente se chega a 250ºC. Se não hidratar o suficiente, corre o risco de a massa ficar dura”, alerta Matheus.

Mestre de forno da Bráz Pizzaria, rede eleita a 4ª melhor do mundo por três anos consecutivos no ranking 50 Top World Artisan Pizza Chains, Luis Lopes Macedo sugere usar pedra refratária ou uma assadeira invertida e bem aquecida para simular temperaturas mais altas. Segundo ele, isso favorece bordas tostadas e uma massa mais bem assada.

Cobertura equilibrada

Na finalização, o consenso dos especialistas é a moderação. “Nada de encher o disco de coisa. O importante é sentir o sabor de tudo que está ali”, resume Matheus. Macedo segue a mesma linha: “O melhor é evitar grandes quantidades de queijo ou molhos muito condimentados para não mascarar a massa”, afirma.

Já Dani Branca recomenda aplicar a lógica do “menos é mais”, sobretudo para evitar excesso de umidade, que prejudica o cozimento. A sugestão é finalizar com poucos elementos, como azeite e manjericão fresco.