Bebida

No mercado de novidades em cervejas, desafio é repetição

Estou bebendo - Leuven Red Ale Knight Red Ale de 6% produzida em Piracicaba (SP), chamou atenção ao ganhar bronze na World Beer Cup, torneio bienal nos EUA, junto com marcas como as gaúchas Tupiniquim e Brasserie 35, a catarinense Lohn e a mineira Wäls. Boas notas de malte tostado e leve lúpulo. R$ 23,600 ml, noGeek’s Beer.

Por Roberto Fonseca

Corro, muitas vezes, o risco de soar repetitivo ao falar de cervejas, mas certamente não ao bebê-las. Por dever profissional, tomo uma grande quantidade de lançamentos e, com isso, não repito rótulos ou tenho aquela favorita sempre na geladeira. Essa também é a rotina de muitos consumidores aficionados, que buscam a novidade da semana. Uma fração nada desprezível do mercado artesanal tem vivido de rótulos diferentes a cada brassagem. Mas como ficam nesse cenário as cervejas “de combate”, que, com uma legião de fãs, acabam se tornando simbólicas com os anos?

Fiz essa pergunta para Steve Grossmann, embaixador da marca californiana Sierra Nevada, que tem um rótulo icônico: a Pale Ale, que ajudou a moldar as futuras cervejas lupuladas dos Estados Unidos ainda nos anos 1980. Para ele, está cada vez mais difícil surgirem cervejas simbólicas no mercado atual. “Os consumidores querem experimentar uma nova cerveja em cada ocasião”, afirma. “Muitas cervejarias que eu conheço não querem produzir a mesma cerveja. Elas fazem uma IPA com um lúpulo diferente a cada brassagem.”

No caso brasileiro, muitas cervejarias ciganas – que produzem em fábricas terceirizadas – também apostam nas novidades constantes. A tarefa de criar cervejas simbólicas, então, caberia às fábricas com capacidade média a grande de produção. Mesmo estas esbarram em questões de logística e tributárias para ultrapassarem as fronteiras de seus Estados e se tornarem conhecidas nacionalmente. Há, ainda, as micros de grandes grupos, que, turbinadas pelas empresas-mães, expandiram produções e distribuições. Ainda assim, é provável que a “cerveja de combate” da grande maioria dos consumidores brasileiros seja uma Lager dourada industrial, e não um produto artesanal.

Para Grossmann, porém, há outro desafio primordial a quem quer emplacar um rótulo na memória do público: consistência lote a lote, aliada à drinkability. Apesar dos esforços reconhecidos, tomar a mesma cerveja a cada vez que se escolhe o mesmo rótulo ainda não é algo assegurado no mercado artesanal local. Sem isso, será ainda mais difícil termos cervejas emblemáticas. Qual é a sua?

 

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