O chef dinamarquês René Redzepi anunciou na quarta-feira, 11, sua saída do comando do Noma, em Copenhagen, na Dinamarca. Detentor de três Estrelas Michelin e cinco vezes eleito Melhor Restaurante do Mundo pelo prêmio The World’s 50 Best, o estabelecimento foi denunciado por cerca de 35 ex-funcionários, em uma reportagem do “The New York Times”, com relatos de agressões físicas, humilhações e abusos psicológicos contra a equipe. 

Redzepi, que co-fundou o Noma e esteve à frente da cozinha por 23 anos, publicou uma nota no Instagram assumindo responsabilidade por parte das acusações e pedindo desculpas. “Não fui capaz de lidar com a pressão, pequenos erros pareciam enormes para mim, e reagi de maneiras das quais me arrependo profundamente hoje”, escreveu.

“Tenho trabalhado para ser um líder melhor e o Noma deu grandes passos para transformar sua cultura ao longo de muitos anos. Reconheço que essas mudanças não reparam o passado. Um pedido de desculpas não é suficiente; assumo a responsabilidade por minhas próprias ações”, continuou o chef.

Além de deixar o restaurante, Redzepi também anunciou que renunciou ao conselho da MAD, entidade fundada por ele em 2011 e voltada à formação e ao desenvolvimento de profissionais do setor.

Entenda a polêmica

A investigação publicada pelo jornal americano descreve um padrão de comportamento agressivo dentro da cozinha do Noma durante anos. Ex-funcionários que trabalharam no local entre 2009 e 2017 relataram episódios de violência física e constrangimentos públicos, incluindo empurrões, cutucões e até socos vindos do chef. 

“Ele batia, cutucava e empurrava funcionários por erros pequenos e às vezes chegava a socar alguém quando perdia a paciência”, afirmou um ex-funcionário. 

Os relatos também descrevem jornadas de trabalho extremamente longas, que podiam ultrapassar de12 a 16 horas por dia. Segundo a reportagem, parte significativa da equipe era formada por estagiários estrangeiros que recebiam pouca ou nenhuma remuneração. O restaurante passou a pagar esses estagiários apenas nos anos finais de sua operação regular em Copenhague.

Alguns ex-funcionários também disseram ter sofrido intimidações e ameaças envolvendo suas reputações na indústria.

A repercussão das denúncias ocasionou a perda de dois patrocinadores, American Express e Blackbird, que apoiariam uma temporada de jantares temporários do Noma em Los Angeles, nos Estados Unidos.